Entrevista com Karyne Sugayama

Hoje a entrevistada da vez sera uma Cake Design, atualmente participante da 3ª temporada de Bake Off Brasil – Mão Na Massa (SBT). Karyne irá nos contar sua historia, sonhos e projetos.

(Primeiramente eu quero agradecer a Karyne pela atenção e por ter concedido essa entrevista).

Emerson: Olá, tudo bem? Como sua história começou na confeitaria?

Karyne: Então, minha história na confeitaria começou no Japão, por volta de 1994, quando minha família sofreu um revés financeiro e fomos pro Japão como dekasseguis. Lá, trabalhei em um restaurante brasileiro, onde conheci uma pessoa maravilhosa que fornecia bolos pros restaurantes.

 

21744883_10155226693444864_1313936606_o(Karyne no restaurante Brasileiro)

Um ano depois fui trabalhar com ela, onde tive o primeiro contato com bolos confeitados. Ela me ensinou o básico, mas sempre fui muito curiosa e ia explorando os livros e tentando receitas novas. Naquela época não tinha computador nem internet, então era tudo bem intuitivo e eu tentava copiar as decorações de bolos japoneses. Os bolos decorados e personalizados sempre me chamaram muito a atenção, adoro artes e design desde sempre, então tentar criar bolos diferentes sempre me provocou a ir além do que todos estavam acostumados. Com isso passamos a ter mais encomendas e me realizava a cada oportunidade de criar algo diferente.

Emerson: Acredito que você aprendeu muito quando foi morar no Japão. Mas qual foi o motivo pra voltar ao Brasil?

Karyne: Quando fomos pro Japão, eu e minhas irmãs éramos muito jovens. Estudamos em colégios japoneses e vivemos muito da cultura oriental. Mas eu poderia dizer, que estávamos lá por escolha dos nossos pais e seguimos com eles os objetivos da família. Meu pai é um homem muito empreendedor, do tipo que trabalhou apenas 2x como funcionário em toda a sua vida, ele sempre buscou sua independência e seus projetos pessoais. Ir para o Japão como dekassegui nunca foi algo desejado por ele, mas foi uma necessidade em um momento de grave complicação financeira. Ele estava com 4 filhas muito jovens ainda, minha irmã mais velha com 16, eu com 14 e as mais novas com 10 e 7 anos. Morávamos em 6 pessoas, num apartamento de 38m2 (eu chamava de “pombal”, era o que pareciam aqueles conjuntos cheios de mini apartamentos cheios de gente) e sofremos muito nesse período. Então meu pai colocou uma meta de no máximo 2 anos de Japão, nesse período faríamos o máximo de economia possível e ele reabriria sua fábrica de doces.

Nessa época eram contadas as as fatias de pão que cada um comia, nunca compramos uma lata de refrigerante, quando queríamos doces fazíamos em casa cozinhando leite pra fazer doce de leite. Foi uma época bem difícil de muito sacrifício, mas esse foco era para voltarmos o quanto antes pra vida que tínhamos. E em 1 anos e 8 meses, retornamos. Antes dos 2 anos, com o objetivo alcançado e o desejo de reconstruir nossa vida no Brasil. Meu pai reabriu a fábrica com mais um sócio e hoje a Gulosina já tem 21 anos. Fruto do nosso sacrifício e do objetivo firme dos meus pais em trabalhar e voltar ao Brasil.

Emerson: Nos conte um pouco sobre a Gulosina.

Karyne: A Gulosina é uma fábrica de doces populares como doces de amendoim (paçocas de diversos tipos), fondant de leite, marshmallow (geleinha de mocotó rosa e branca), geleias de frutas e outros.

O grande destaque é o marshmallow tipo mocotó (a geleinha rosa e branca), esse doce carrega todo o legado da nossa família. Meu avô, começou a produção das geleias de mocotó no quintal da sua casa, meu pai era ainda bem pequeno e já ajudava. Foi errando e acertando que conseguiram ser pioneiros na fabricação de geleia de mocotó no norte do Paraná. Crescendo em meio ao espírito empreendedor do meu avô, meu pai foi adquirindo todo um know how de vida e do que é “cheirar açúcar”. Ele costuma dizer que não tem receita: “acúcar você precisa sentir”. E hoje a Gulosina conta com 130 colaboradores. Uma equipe super empenhada em trabalhar com amor. Hoje em dia minha irmã Cibelle, sucedeu meu pai e administra brilhantemente a empresa. Com uma visão renovada, raízes fortes e com o suporte do meu pai, estamos na terceira geração de gente apaixonada por levar amor as pessoas usando o açúcar como instrumento.

Emerson: No reality (Bake Off Brasil Mão na Massa) teve uma cena que você se emocionou muito falando sobre seu pai. Acredito que todos nós temos um herói para se espelhar. O que ele significa para sua vida?

Karyne: Meu pai é um cara incrível. Ele é mais que um herói, pra mim ele é meu ídolo. Ele é o melhor exemplo que tenho de resiliência e superação. Foram inúmeros tombos que a vida proporcionou a ele e a nossa família, mas ele sempre se levantou. Um homem de valores fortes, onde a família, a honra e a honestidade são a base de tudo. Meu pai costuma dizer: “faça as coisas certas, que tudo dará certo”, essa parece uma frase muito simples e lógica, mas ela tem um significado muito complexo apesar da simplicidade. Fazer as coisas certas se aplica a tudo, inclusive a não negar seus valores. E é difícil lidar com tantos dilemas nessa vida. Tudo dará certo, pode demorar anos, mas o que se foi plantado uma hora vai crescer e dar frutos. É preciso saber esperar pacientemente a hora certa. E outro grande ensinamento dele pra mim é: “trabalhe pra você e nunca pelos outros, mesmo sendo funcionária”, esse pensamento representa agradecer 2x, pelo valor que se recebe pelo trabalho e também pelo aprendizado que está sendo proporcionado. Trabalhar pra si, mesmo sendo para outros te faz ter resultados maravilhosos em tudo, afinal, você faria algo ruim pra si mesmo?

Emerson:  Certamente não. Mas me conta como você separa a rotina da família, o reality e o tempo livre?

Karyne: As gravações do programa foram muito exaustivas, tanto física quanto emocionalmente. As provas são muito intensas e meu corpo sofreu muito com a ansiedade antes de cada prova. Eu pensava: “Vou tentar sobreviver uma prova de cada vez, vou fazer o meu melhor a cada dia. E se for pra dar certo vou continuar, mas se não der, terei me esforçado ao máximo”. Nosso corpo fica todo contraído, e dá até vontade de ir ao banheiro na hora errada (Risos). Mas como moro em Santos, fiquei hospedada em São Paulo, e não tive minha família por perto. Inicialmente fiquei bastante sozinha, apenas meu marido me acompanhava quando podia. E estar longe de casa é bem ruim e não ter a família junto, piora tudo. Muitas vezes eu chegava pilhada de tanta pressão e chorava muito, tinha muita vontade de ficar sozinha ou dormir muito. Mas eu sabia que uma hora ia acabar e essa fase eu teria que viver, então segui em frente, sofrendo, mas segui. Com o tempo você aprende a administrar melhor as emoções.

Meu filhos já são bem grandes, então acabam não sentindo tanto minha ausência. Isso foi bom por esse lado, pois eu sei que estão bem e não preciso me preocupar tanto. Tempo livre? Que isso? (Risos).. Ainda não tive. Os poucos dias que tive livre, procurei ficar perto da minha família e descansar.

Emerson: Família pra você significa o que?

Karyne: Base, raiz, essência.

Emerson: Quem foi o incentivador pra você se inscrever na seletiva do programa?

Karyne: Sou uma confeiteira realmente amadora, trabalho em uma agência de propaganda e tudo o que aprendi foi por intuição e internet. Nunca tive dinheiro pra fazer cursos, sempre rolava alguma prioridade que me impedia de fazer cursos da área. Sou muito curiosa então fui testando técnicas que eu achava interessante e fui aprendendo. No ano passado eu me inscrevi na Batalha dos Confeiteiros (Record), fui até a parte da seletiva quando acontece o teste de câmera, mas acabei não passando. Ainda bem, porque me inscrevi de curiosa apenas e não estava preparada. Depois dessa negativa, resolvi me inscrever nessa competição pra amadores, que seria mais o meu perfil, mas quando fui atrás já tinham finalizado o casting. Fiquei quase 1 ano acompanhando as postagens para ver quando abririam novamente as inscrições e dessa vez deu certo. ❤

Mas sim, tem alguém especial que é meu maior incentivador. Meu marido Thiago. Ele acompanhou minha trajetória e me inscrever foi como se ele estivesse participando também. Passei por um quadro de depressão e foi ele quem resgatou em mim a veia que corria o açúcar. Foi ele quem me incentivou a retomar os bolos, sempre lembrando de como eu ficava feliz cada vez que preparava um doce. Ele sempre correu comigo para fazer entregas no meu horário de almoço e até mesmo passava madrugadas acordado pra me apoiar enquanto eu modelava. Nos momentos em que batia o desespero e que algo dava errado, era ele quem me socorria, com palavras de incentivo ou colocando a mão na massa.

20525669_1898011560450317_6148784490530279945_n(Karyne e seu marido Thiago)

Emerson: O programa iniciou recentemente. Com o tempo além do artista ganhar fãs ele acaba recebendo haters. O que você faria nessa situação?

Karyne: Sobre haters, o que comem? Do que vivem? (Risos).

Felizmente, nunca recebi ou li alguma mensagem de hater. Costumo acompanhar os comentários nas redes sociais, mas ainda não vi nada pesado. Já ouvi alguém falar que só ganhei o avental azul porque contei uma historinha e fiz drama. Mas esse comentário nunca me fez sentir mal ou coisa assim, porque eu sei da minha história, da minha emoção naquele dia (que por coincidência tinha sido 1 dia após o aniversário do meu pai). Homenagear e contar a história de alguém especial é algo pra se ter orgulho. Poderia ouvir mil manifestações de haters, mas continuaria na minha emoção. Ouvi um termo muito legal: “Karyne lacrimogênia” Amei! ❤

O que eu faria em caso de haters pesados. Eles não sabem o que a gente vive lá. Existem vários níveis de discernimento, há pessoas que jamais entenderão a complexidade de se envolver num reality show. Eu ignoraria. Só reagiria em situações que ofendam minha índole, meus valores ou minha família. De resto, o choro é livre. =)

Emerson: Até agora eu não tenho haters, e espero continuar assim. (Risos). Mas me diz, você tem planos futuros após o término do programa?

Karyne: Sim! Tenho muitos planos e está me faltando tempo pra me planejar e executar, mas vou fazer na medida do possível. Em breve lançarei um blog e canal de receitas ilustradas. Vai ser bem lindo e bem divertido com bastante foco em design. Irei voltar a estudar com foco específico em confeitaria e panificação. Continuar meu trabalho com a CakeMoi e oferecer cursos na área de Cake Design.

Mas a primeira coisa é VOLTAR A FAZER BOLOS! Porque, desde que começou o programa ainda não consegui para em casa e mostrar o que eu sei fazer de verdade. O programa não é referência pra mostrar nosso potencial. Jamais entregaria produtos tão vergonhosos como os que já fiz lá, mas faz parte.

Emerson: Eu imagino, fazer um bolo perfeito em menos de 2 horas é praticamente impossível.

Karyne: Sim, e para um confeiteiro amador de verdade, sem a experiência do dia a dia, sofre bastante pra realizar aquelas provas complexas em apenas 1h45. Me sinto vencedora por 2 motivos: de ter entrado no programa e ter conseguido entregar as provas, mesmo que ruins.

Emerson: Bom, ficamos por aqui. Obrigado por ter concedido essa entrevista.

Karyne: Obrigada Emerson! Beijos e bom final de semana.

-Partições-

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Herica Meireles: Como você começou a fazer bolo?

Karyne: Oi Herica! Meu primeiro bolo eu fiz com uns 7 anos, com a ajuda da minha mãe, foi de cenoura. Com 8 anos me lembro de ter feito um bolo de laranja pra um menino que eu gostava na escola (Risos) sempre acreditei na confeitaria como forma de passar sentimentos. Mas bolo confeitado mesmo foi no Japão, com a Joana Hatadani, fazíamos bolos pros brasileiros. O lugar se chamava Lanchonete Tia Joana, foi uma época maravilhosa, eu adoro aprender e essa fase me marcou pra sempre. Tanto que tô eu aqui escrevendo pra você!

 

 

 

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