A Vastidão da Noite – Crítica

“Será que estamos sendo vigiados?”

Entre as décadas de 50 e 60 o rádio foi um meio de comunicação muito forte em todo o mundo. Além de ser um meio onde as notícias dominavam, o entretenimento também ganhou espaço no rádio com as radionovelas e programas musicais. Com o surgimento da televisão, os programas radialísticos perdem e vem perdendo cada vez mais o espaço para as outras mídias que compõem o audiovisual. Em “A Vastidão da Noite” (“The Vast Of Night”) o rádio é o principal narrador personagem que ajuda no desenvolvimento da trama e também é responsável por criar uma tensão maior.

No período da guerra fria, dois radialistas mirins escutam uma frequência estranha na estação de rádio. Curiosos, os dois começam uma investigação para saber a origem desse barulho.

Toda a ambientação junto com a trilha sonora são bem efetivas para imergir o espectador na história, tornando assim a trama cada vez mais misteriosa e amedrontadora. Isso se deve graças a montagem e a direção do longa feita pelo Andrew Patterson que nos conduz com planos sequências longos e lentos, dando assim uma sensação de espaço concreta e bem construída. Também há muitos planos estáticos, para afirmar a tensão criada pela história.

A eficácia das atuações reforça a incompreensão dos personagens com a problemática e intensifica ainda mais o mistério. Todo o trabalho em cima dos protagonistas gira em torno da resolução desse problema envolvendo essa frequência nunca antes ouvida por eles, e aí que está o grande diferencial desse filme. Nem sempre é necessário apresentar ou explicar com imagens, as vezes só o som já é suficiente e diferenciado, pois nesse caso em específico, como se trata de um mistério não sabemos o que está por trás daquilo, por isso só o som faz sentido e intensifica ainda mais o poder do enigma.

É incontestável que o roteiro é uma grande engrenagem para que essa obra se desenvolva. Por se tratar de uma ficção científica, todo o desenrolar da trama se afunila até chegar em seu principal ponto, o plot final. Todo o caminho percorrido e todos os obstáculos envolvendo os personagens, deixam o espectador intrigado, querendo descobrir o que há por trás daquela situação, isso foi um grande acerto do filme. Toda a fotografia ajuda ainda mais na imersão do público, apresentando imagens opacas e acinzentadas, sempre aparentando ter uma névoa em quase todo o filme.

“A Vastidão da Noite” aparenta ser uma ficção científica barata e clichê, mas felizmente se torna um complexo filme que usa e abusa do AUDIOvisual para contar sua história.

Viva o rádio…

Filme disponível na Amazon Prime Video


Sobre Gabriel Zanon

Gabriel Zanon (18) é crítico cinematográfico que escreve e realiza trabalhos relacionados a cinema para vários veículos, inclusive seu canal no youtube. Cursando produção audiovisual, Zanon faz críticas de diversos filmes e agora, na temporada de premiações age com um foco ainda maior sobre os filmes indicados.

Contato: gabrielandrezanon2103@gmail.com Instagram: ga_zanon

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