Manchester À Beira Mar – Crítica

Manchester À Beira Mar é um filme que explora o lado sentimental de seus personagens de forma bem completa, principalmente a vida de Lee Chandler – interpretado por Casey Affleck. Em toda a história, vemos um longo desenvolvimento do personagem, que é um dos pontos principais para que esse filme seja tão bom.

A história aborda a vida de Lee Chandler, um zelador que cuida de 3 prédios e leva sua vida de uma forma simples. Nesse meio tempo, ele recebe uma ligação dizendo que seu irmão havia passado seriamente mal e sido hospitalizado. Quando Lee chega ao hospital – que fica em outra cidade (Manchester) – descobre que seu irmão Joe havia falecido.

Todo o longa é uma aula de atuação e de desenvolvimento do personagem. A história fala sobre dramas familiares e como resolver problemas que envolvem a família, como mudar seu estilo de vida para ajudar o outro ou fazer o certo mesmo que seja desagradável para alguém, entre outros dilemas. É bem diferente a transição de foco que o filme faz quando descobrimos a notícia que Joe, irmão de Lee, havia falecido. Ao invés de usar isso como ponto de partida para o andamento da trama, ele o muda para os dramas vividos por Lee, e isso de jeito nenhum é uma coisa ruim, pelo contrário, mostra todo o planejamento e excelente qualidade de seu roteiro.

Nessa análise aqui não posso deixar de fazer um parágrafo inteiro sobre o personagem de Casey Affleck, que sem dúvidas é o personagem mais profundo do filme. Logo no começo conhecemos o Lee deprimido, apático, melancólico que se mostraria o contrário com usos de flashbacks. Toda essa gama de sentimentos que o personagem experimenta é mudada com o caminhar da história e o ator faz essa transição muito bem, movendo-se entre a dúvida e o sentimento de ter que cumprir uma missão e a culpa com o medo de voltar ao passado. Como disse antes, essa persona tem camadas muito profundas e a mais explorada delas com certeza é a tristeza. Para aliviar a dor psicológica que sente, Lee precisa sofrer uma dor física maior, para que aquela sensação passe.

Fora tudo isso que o protagonista passa, essa “missão dada” de cuidar de seu sobrinho traz um impasse para ele: cuidar do garoto, como pedido pelo irmão, e ser um “pai” novamente, ou seguir sua vida simples e monótona do mesmo jeito. Ao longo do desenvolvimento vemos que ele ainda sente o amor paterno com o sobrinho. Essa construção é muito bem feita, concebida como se fosse um gráfico invertido – na infância de Patrick os dois mantinham uma ótima relação e, com o distanciamento de Lee, eles perdem esse contato e logo mais voltam a ser próximos novamente, não do mesmo jeito que antes, porém há mais amor naquela relação paterna.

É interessante ver como cada um expressa sua dor de um jeito diferente aqui. Como falei acima, Lee “desconta” seu sentimento na dor física, agora os outros são diferentes: alguns reprimem seus sentimento, outros se abrem expressando tudo aquilo que sentem para os outros. Temos que dar importância para isso, pois mostra uma vasta variedade de sentimentos usados pelo roteiro e como foi extremamente explorada da maneira certa.

Com isso podemos concluir que Manchester À Beira Mar é um ótimo filme de drama que retrata as relações familiares da melhor maneira possível, além de também mostrar como é importante cuidar das pessoas ao nosso redor


Sobre Gabriel Zanon

Gabriel Zanon (18) é crítico cinematográfico que escreve e realiza trabalhos relacionados a cinema para vários veículos, inclusive seu canal no youtube. Cursando produção audiovisual, Zanon faz críticas de diversos filmes e agora, na temporada de premiações age com um foco ainda maior sobre os filmes indicados.

Contato: gabrielandrezanon2103@gmail.com Instagram: ga_zanon

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